Resumo: Os investidores de parques eólicos aliados ao Estado brasileiro estão prontos para construir parques eólicos offshore que explorarão o potencial de energia eólica do Brasil. Todavia, os critérios de exclusão socioambiental não estão bem definidos, deixando milhares de comunidades de pescadores artesanais em risco de perder o acesso a locais de pesca e rotas de navegação. Desenvolvemos cartografias sociais com pescadores de colônias de pesca ao longo do litoral do oeste do Ceará, Brasil, utilizando oficinas participativas. As cartografias sociais indicam que os parques eólicos offshore podem interromper severamente as atividades de pesca artesanal, levando a impactos significativos de subsistência que aumentarão os movimentos sociais contrários aos parques eólicos offshore e respostas políticas que podem interromper os investimentos em energia renovável. Os mapas sociais têm implicações significativas para melhorar os processos de justiça do reconhecimento, justiça processual e justiça distributiva. Vimos que a cartografia social pode contribuir para os processos de consulta pública de parques eólicos em outros lugares do Sul Global e pode ajudar os tomadores de decisão na governança compartilhada dos territórios marinhos.